quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Queimando o Filme

Essa semana me enchi de razão. Ricardo Silvestrin está me seguindo no Twitter. Oba! Escritor e comentarista consagrado sabendo que existo? Que beleza! E se existo vou ter que pensar agora. Visita importante dá trabalho pra gente. Corri a dar uma arrumada na casa - textinho novo no blog, terminar um dos 3 ou 4 livros que estou escrevendo. Vá que perguntasse sobre minha produção atual? Porque os escritores sempre querem saber dos projetos que nós iniciantes temos. Acho que é pra colocar respeito, autoridade, sei lá! E temos que mostrar serviço. Que produzimos muito. Mas hoje vi que ele segue mais de mil tweeteiros, o que muito desvalorizou minha estrela na calçada virtual. De qualquer modo, estou lá, junto com celebridades e tantos outros desconhecidos que o autor escolheu. E receberá minhas abobrinhas também. Esse texto, por exemplo comecei lá mesmo, no Twitter. O Carpinejar já fez isso, eu sei. Transformou suas postagens em livro. Genial! Imitador de Elvis também é artista? Na sequência, pensei com cerca de 140 caracteres que talvez ele (o Silvestrin) lesse o que eu escrevia exatamente naquele momento. E com um pouco de sorte não iria responder, nem comentar meus tweets. Pois quem reza não espera resposta divina. Não em voz alta. Que horror! É monólogo de esperanças em quarto fechado. Afinal não fui lá pra jogar conversa fora. Quem começa a escrever logo acha que é escritor e que logo será lido. Quer fazer público e busca a aceitação de seus pares. Daí que todo iniciante é chato: “ó, Scliar, eu aqui ó, num pé só.” Ou, “Carpinejar, hein, hein, olha, olha, de cabeça pra baixo.” Ou ainda mesmo “Silvestrin, iuhuuuuu, sem as mãos.” Iniciante tem essa necessidade de aparecer. Teclando certa vez com o Leonardo Brasiliense, ele me disse que não existe autor iniciante e sim autor inédito. Tem sentido. Na real pra mim fica até difícil querer aparecer muito porque sou tímido. Não. Tímido é o Veríssimo. Eu sou xucro e desajeitado. E por que escrever? No meu caso é o que o ajuda a (sobre)viver. É egoísmo sim. Pleno e consciente. Eu escrevo pra não endoidar. Pra me tratar. Repito. Escrevo pra me tratar. É doença. Desde criança, pelo menos, que tenho isso. A primeira vez que se manifestou eu tinha oito anos. Minha mãe me pegou no quarto montando um livro com sumário e capa dura. Vai brincar na rua, guri! A vó intercedeu e ajudou a grampear o volume com o batedor de bifes. Voltemos à cena internética... e não foi que entrou uma postagem do Silvestrin? Abre aspas: “como disse a poeta Eunice Arruda: todo escritor, quando inicia um texto, é iniciante.” Coincidência ou não repassei a mensagem do poeta para meus seguidores. Quem conhece o Twitter sabe do que estou falando, é o chamado retweet. Mas é meio assustador esse Twitter. Podemos até dar boa noite ao William Bonner depois do Jornal Nacional. Minha avó ia adorar. Uma coisa tenho que ressaltar, até pra não queimar o filme: se escrevo pra me tratar, o diagnóstico nada tem de sublimação, viu? Arte é arte. Charuto é charuto. Mãe é mãe e Deus não lembra nem um pouco meu pai, que sempre foi bom. O objetivo é aparecer e pronto. Sem esquecer da advertência de Nietzsche, em Ecce Homo, para termos cuidado com quem se promove demais, queremos sempre nossos 15 minutos de postagem, com ou sem fama.
Em Os contistas, Moacyr Scliar coloca que “Todos nós tivemos pai e mãe, todos nós tivemos infância, fomos traumatizados, tivemos nossos casos. Por que encher o saco de todo mundo com nossos contos? Já não chegam as preocupações cotidianas da vida, os impostos, as despesas?" Este conto é totalmente metaliterário, inclusive com verdadeiros minicontos no seu interior, como este: "Trinta contistas fizeram um pacto: até o fim da vida leriam os contos uns dos outros." Hehehe. Bem nessas.
Tem uma música dos Beatles (ok, é cantada pelo Ringo e meio countryzinha) que diz o seguinte: “They're gonna put me in the movies. They're gonna make a big star out of me. We'll make a film about a man that's sad and lonely. And all I gotta do is act naturally." Gostei da ideia. Que? Pra que colocar citações em inglês? Pra aparecer, é claro! Ficariam melhores em francês? Deixa eu ver, só tenho o Petit Prince à mão aqui, acho que serve: “La seconde planète était habitée par um vaniteux: ‘Ah! Ah! Voilà la visite d’un admirateur!” Lindo! Bravo!
Para um vaidoso todos os outros são seus admiradores.
Eu vou me tratar e se um dia me fizerem um filme, ao menos que eu seja eu mesmo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carta de partilha

Sábado passado te vi na pizzaria com o Júlio e a Cris. Por um momento pensei em chegar e dar um oi. Parecias bem. Conversando tão descontraída. Acho que não falavam de mim. Que bom que eles não eram amigos só do casal e vocês ainda saem juntos. Pra mim não ligaram mais. Talvez fossem de fato mais teus do que nossos amigos. Eu tinha rangueado e resolvi sair na manha. A coisa toda ainda está muito recente, eu sei. Melhor evitar os silêncios que se seguiriam nas bocas apertadas por olhos tão abertos. Depois, no domingo, nem saí. É que me toquei que a todos os lugares legais que conheço sempre íamos juntos. Quando a gente se separou, devíamos ter partilhado mais do que os bens. Dividiríamos também as memórias. Os amigos. Os lugares. Lembra daquela janta de aniversário de 10 anos? Pode ficar. Na boa, nem gosto daquele restaurante. Lá não vou mais. Muito chique pra um ex-casado frequentar. Já a pastelaria do parque eu quero. Ainda mais agora que estou com pouca grana. Foi o que mesmo? Meu aníver, eu acho. Temos que dividir a planta da cidade. É uma questão de definir e conhecer o palco em que atuaremos nossos novos papéis. Não estamos prontos pra nos pecharmos por aí. Desviarei minhas rotas pra fugir de teus caminhos. Itinerários mapeados. Calçadas de mão única. Você, Rio Branco; eu, Bom Fim. Você, Rendenção; eu, Moinhos. Fico com o Dr. Brenner, que tô querendo mudar o remedinho.Você agora pode manter a análise individualmente com a Sílvia, porque como terapeuta de casal não vingou. Ou sim. Sei lá. Pelo menos nos ajudou a resolver o problema. Manda abraço pro teu pai. Tá ligada que eu gosto do velho, né? Ah, e me deixa a Soninha. Tenho que investir nas amizades solteiras agora. Nada a ver, viu? Sabe que não curto aquelas tatus dela. Mas vá que me apresente alguém? Aí, deu. Pastelzinho e chope. Foi assim que começamos, lembra?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A vida e a arte

Baaaah, dei o bolo na Feira de Satolep. Foi por motivo de força muito maior que eu e comodamente para mim, impublicável. A vida sempre se sobrepõe à arte sem imitá-la, pois a representação mais rica se apaga ante o real mais efêmero. E a vida, por mais tola que seja, não é passível de apreensão ou reprodução por pena alguma sem perder o que tem de mais concreto: a imponderabilidade absurda e irracional do acaso. A literatura é uma farsa institucionalizada pois reduz a um universo artificial e cheio de significados construídos, o que sequer tem sentido em si. É o que "não é" (e nem pode ser) fora de nossa busca por explicações em análises individuais ou forças sócio-culturais.
Enfim, se alguém perdeu a viagem, é só passar na Delegacia da Receita em Pelotas e pegar seu livro autografado - gratuitamente, comigo.

Já na Feira em Porto Alegre, autografei um conto meu, publicado no Histórias de Trabalho de 2008. Estiveram lá a Luísa (com esse), o Edson, Gil, Bruna, Rafael, Lélio e tantos outros.

Um causo interessante a destacar: procurou-me a Roselaine, que deveria apresentar meu texto no Sarau de entrega da premiação que ocorreu em setembro passado no Teatro Renascença. Ela não foi. Eu também não. A vida se sobrepôs à arte outra vez naquele mês. Motivos de todos tamanhos à parte, contou que minha narrativa coincidia em vários pontos com a história de um tio seu. Às vezes o fazer literário assusta um pouco: criei aquela narrativa ficcional e, como outras que já escrevi , sinto como se fosse real. Talvez seja.
Mas o que realmente surpreende, a toda hora, ainda é a vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Minhas participações na(s) Feira(s) do Livro

Próximas Pirotecnias:



37ª Feira do Livro de Pelotas
Autografo: Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História (últimos exemplares)
Dia 07/11 - das 18 às 20 horas
Praça Coronel Pedro Osório - Pelotas -RS

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55ª Feira do Livro de Porto Alegre
Autografo: Histórias de Trabalho - 2009
Dia 09/11 às 20 horas
No Memorial do RS - Térreo
Praça da Alfândega - Porto Alegre- RS

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Minicontinho ladeira abaixo



Vita brevis est

Semaforizou o vermelho: eles pararão.

Eu passarinho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A margem

Quando um casamento acaba não se quer mais a casa. Passa-se a um período de vazios concretos. Mas a casa ainda vive. E se reproduz. Divide-se para formar outras duas. É mitose de salas de não-estar e quartos de não-dormir. É casa-óvulo. É casa-esperma. É casa-rodante. Na moradia de quem partiu não se olham retrovisores. Não se conservam souvenires de um abalo sísmico. As casas se reviram e se ajeitam de um lado para outro, buscando a posição mais confortável na cama de pregos. Na ex-casa o reboco marcado por infiltrações que antes nem se viam é maquiado por uma tinta alegrinha. Alguns quadros mudam de lugar. Outros são substituídos. Fotografias se escondem de cabeça baixa nas gavetas. Contudo, o desenho do marcado das molduras retiradas segue preenchido por namorados, noivos e pais boquiabertos. Todos ainda ali, em comunhão total. Rostos redecorados monologam meias-verdades em corredores menos frequentados.
No apê novo de quem saiu os filmes e as paredes são locados. O quarto tem TV ligada até tarde. Na cozinha o café é instantâneo. O pão ressureto surge a cada dia no grill. O saudosismo é conversa garantida sem necessidade de fiador. A sala de solteiro não precisa de mesa de jantar. No banheiro o espelho sorri sozinho os respingos de pasta de dente. Na suíte da antiga casa os fantasmas ainda co-habitam fechados no closet. Perfumes vestem os cabides.
As referências se quebram e os cacos ficam espalhados sem sorte pelo chão por um mau tempo. Mas onde é agora a casa? Que lugar é este de quem ainda nem bem saiu e já não sabe como voltar? É no meio do rio que se afoga aquele que se interrompe pra calcular qual a margem mais distante. E a distância nunca é a mesma, pois o rio não é o mesmo. E aquele que entra tantas vezes no mesmo rio relativiza sobre quem ele é agora. Quem é esse que é visto como outro? Visitante de sua própria vida. Volta sempre. E sobe degrau por degrau sem saber quem o vê com olhos mágicos. Visto por dedos de mão única. Arrasta-se com o alicerce da casa preso aos pés. A minuteira corta mais vezes a luz do que antes. Se quisesse subiria até no escuro, pois conhece bem o caminho. Caracol de passos sem outro destino para seu rastro brilhante de lesma. Os filhos ainda se agitam com o barulho de chaves nas outras fechaduras. Já não tem a chave da porta principal. A campainha é apertada de modo formal, pois tem hora marcada para ser aquele que cria. A porta se abre e é engolido mais uma vez pela casa.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Palestrinha Básica

Guiei em visita à Inspetoria da Receita (antiga Alfândega) uma turma de arquitetura da PUC-RS. A faculdade está desenvolvendo com os alunos do 8º semestre, na disciplina “Projeto de Edificações V”, um exercício de restauração do antigo prédio inaugurado em 1933. Distribuí mais alguns exemplares do meu livro publicado pelo Sindireceita sobre a História da Alfândega de Porto Alegre e falei sobre a formação do entorno da Praça e a construção do edifício .
Foi legal e o pessoal gostou.

domingo, 9 de agosto de 2009

Loki




Muito bom o documentário Loki, sobre o Arnaldo Batista. O recado tava dado no segundo terço do filme, mas não chega a cansar. Baixei o disco (Loki?) sem deixar de pensar se vou virar bolor. Viajei. Decolei esta manhã e escrevi até um poeminha pra não morrer de dor...




telefonesemfio

A vida, a paz, o amor.

A vida, a paz e o amor.

A vida passa e o amor.
Havida a paz, o amor.

Ave da paz, o amor.

Ávida a paz, o amor.

A vida atrai o amor.

A vida trai o amor.

A vida traz o amor.

A vida atrasa o amor.

A vida transa o amor.

A vida, a transa e o amor.

A vida, o transe e o amor.

A vida, o trânsito amor.

A vida o trouxe do amor.





Cadê meu disco voador?


sábado, 25 de julho de 2009

Sensação Térmica

Nesta época do ano todo mundo só quer escrever sobre o frio. Sintamos a coletividade da sensação térmica. Peraí, deixa eu ver. Sim, não. Sim, meu pé esquerdo tá congelado e do direito não sinto nada tornozelo abaixo. Que? Estética do frio? Never more. Never more. Como escrever num clima assim? O texto encolhe. Se contrai. E meio curvado só quer ver TV enrolado no edredom. E a notícia que nos passam é a mesma do inverno passado em que a gauchada aparece toda entrouxada na rua. Seu João tirou o pala do baú. Dona Tereza deixou-se abraçar pelo guarda-roupa. Mas sempre tem um querido de manga curta. Não tá com frio, não? – pergunta o repórter esfumaçando. Um pouco, na correria tu nem sentes - diz de queixo firme o rapaz. De onde vem essa gente? Da Patagônia? E depois todos querem ir a Gramado pra curtir o frio. Eurodisney dos Pampas. Quem gosta pra valer desse ar gelado que dura todos os dias de inverno rigoroso dessa semana devia ir é pra fronteira: Livramento, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar. Lá sim, o vivente não precisa fazer charminho. Porta aberta nos fundos e o vento encanado no lombo. Aí queria ver. Café colonial? Na campanha? Fonduezinho? Não mesmo, é sopa de pedra na concha. Pão com banha e leite quente. Bem assim, foneticamente correto, sem meias vogais. Aqui em Porto Alegre os apartamentos são frigobares de dois e três dormitórios. Não tem um que seja quente. O Guaíba deitado no divã quer saber se é rio ou lago. Revoltado, dá um gelo na cidade. A umidade do ar é absoluta. O que também nos faz penar no verão. Mas no calor eu até me saio bem. O que mata é o frio. Estou desenvolvendo uma teoria sobre minha aversão ao inverno. Minha e de muitos. Nasci em março. O mundo me foi apresentado na promessa de vida, em semelhança ao útero materno. Passados alguns meses e a primeira mudança brusca que senti foi no inverno. Assim quem não gosta de frio, provavelmente nasceu no verão e vice-versa. É o primeiro sofrimento na própria pele. E os indecisos? Paridos na meia-estação. Claro. Pode perguntar pros conhecidos que é batata! Dá certinho. Mas então tá bueno. O vinho acabou. A lareira amornou e o provolone me enjoou um pouco. Vou tentar preparar um chocolate quente sem um pingo nos is. Vou me recolher pras cobertas e pra quem gosta de frio, aquele abraço. Aposto que o RJ continua lindo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Postscriptum


Nada mais injusto que bilhete de suicida. Não há direito de réplica. Acusações são desferidas em monólogo. A ampla defesa mete a bala no ouvido do contraditório. A última carta tem entrega garantida e sem carimbo de “retorne ao remetente”. O finado não pode ouvir você xingando, difamando, rindo ou chorando.
É herança indesejada. É dramática. Passional.Coisa de amor e ódio. O de cujus sempre odeia e ama alguém. Primeiro culpa meio mundo, depois se justifica com a outra metade. A necessidade de se explicar até no momento de desistir das explicações é motivação para a redação final. “Foi por isso, por isso e por aquilo. Perdoado? Obrigado!” E o matador de si mesmo não quer ninguém falando mal depois. Vá que pensem bobagem. E se a vizinha entender errado? E no trabalho? Vão falar o que no fumódromo? “Foi doença ruim”, dirá um. “Não, acho que foi guampa”, chuta o outro. Assim não dá. Há uma reputação a zelar. Por isso presta contas tim-tim, por tim-tim, mesmo sabedor do saldo deficitário. Deve, não nega e não paga. Matar-se é uma redundância de dívidas. É abreviar o inevitável. Somos mordomos da vida que lá no finzinho nos será tomada mesmo. Que me perdoem os simpatizantes, mas suicídio é burrice. É sair no meio do filme. Por isso qualquer explicação dada não convence ninguém. Muito menos os entes queridos.
Vargas escreveu a carta-testamento e ainda deu tempo de se vestir pro sono eterno. Porque não acredito que escreveu o célebre texto já de pijamas como foi encontrado. E tudo isso pra quê? Pra entrar na história? Que bobagem! Podia ter deixado uma banana no criado mudo e saído da vida que dava na mesma. Até um “fi-lo porque qui-lo” funcionaria melhor.
Ser, estar, ficar e permanecer não existindo por opção de morte deveria bastar ao defunto voluntário. Sem cartinhas. Sem pedidos. O bilhete do suicida é um epílogo de diário. Coisa que não deveria sequer ser escrita pra morte e sim, dita em vida. Agora não sendo capaz de escrever (e viver), cale-se para sempre.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Conficções II

Tenho medo de Jesus Cristo. Não tem jeito, tenho medo de todos eles. Deus menino, majedoura, carpinteiro, de olho azul, em aramaico ou dublado. Tenho medo das chagas e do sagrado coração. Até porque não gosto de sangue. As imagens. As imagens sempre me assustaram. Acho que foi por isso que abandonei o catolicismo. Tomar a santa hóstia com o Cristo agonizando suspenso lá atrás... Credo!
Na casa de meu avô nas grotas de Itapuã/RS, tinha uma gravura do santo homem no fundo da sala. Desbotada em azul e branco, era meu pavor completo na infância. Em noites de gaiteado e pouca luz no pisca-pisca do querosene queimando, eu dançava de cabeça baixa. Pra não ver a imagem, fingia acompanhar o pezinho bem juntinho com o meu. Ok, eu gostava do pezinho da Betina, prima um pouco mais velha, unha feitinha, dedo pequeninho, mas não esquecia um segundo sequer que o olho redentor me via lá da parede e sabia que eu sabia que ele me via.
Aliás, foi essa mesma prima que me levou depois pela primeira vez no cinema, e logo verá o leitor que não fujo do assunto: Qual filme? Qual o filme? Não. Esse do Mel Gibson não vejo nem a pau! E foi bem antes. “Marcelino, pão e vinho.” A fita era da década de 50, mas sempre voltava às telas. Eu tinha meus 8 anos. Era 1980. A gurizada de hoje nem conhece. Não perderam nada. Conto rapidamente: é a história de um piá que encontra uma escultura de Jesus crucificado numa sala de um mosteiro. Em tamanho natural, o Bendito começa a se mexer e falar com ele. Não lembro direito da história, parece que o menino trazia pão e vinho e aí rolava o papo melodramático. Minha prima chorava e eu, Deus que me perdoe, me contorcia na poltrona. Pô, sem contar que na mesma época passava o Superman II no Baltimore. Tenha dó!
O que tenho a confessar é que esse medo nunca acabou completamente. A terapia ajudou, mas não virei fanático nem na fase protestante com a mis-en-scène toda do Apocalipse, nem tive fé suficiente para ser ateu com o materialismo histórico. Por outro lado, ir pro céu seria um inferno. Ia ter que me esconder o tempo todo. Parece que não rola muito mais que uma folha de parreira e tem a tal onipresença que não dá uma folguinha pro cristão. Tá que o Diabo não é nenhuma Miss eu sei. Mas até a coisa da pata de bode com unha fendida e rabo de flecha parece menos assustadora que o olhar direto e sereno de Nosso Senhor. É o divino que assusta. O ressurreto que apavora. O peito transpassado esperando o dedo de São Tomé. Fobias estranhas todos temos. Essa é daquelas que só não vendo pra crer.
Na época do secundário, a prima ainda me ensinaria a rezar. No final, após um amém dito bem baixinho, acrescentou: ai, Jesus.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Quase-quase

Namoradinha de infância não se esquece, né? Normal. Mas e aquelas que gostamos e não chegamos a namorar? É que quando a gente é criança tem um período em que se gosta sem ter um nome pra esse gostar. É o que é: sem rótulo, nem bula e não tem remédio. É um quase-namoro. E será que lembramos desses casinhos também? Pois me dei conta um dia desses que lembramos e muito. Com detalhes. Cecília, menina cor de giz, meio sem graça tinha canela fina e cabelo curto. Lá está, em 1981, na garagem do edifício em que moramos na Lucas. Ainda brinca, sem saber que a olho daqui. Pernas leves pulando amarelinha. Saia comprida esvoaçante e blusão azul arremangado. Falou comigo à primeira vista e seguiu falando, falando como se me conhecesse há dias. Quando criança não se pensa o tempo em meses e anos. Só em dias, como se na folhinha houvesse sempre aqueles mesmos números grandes. Aí ela mostrou suas figurinhas querendo troca. Sim, sim, tinha muitas, mas não daquelas. Só de jogador. Mas troquei umas e outras. Só pra agradar. Depois perguntou junto com a resposta se eu morava ali, apontando a porta. Acho que nem ouviu minha cabeça balançar. Não sei ao certo quanto tempo ficamos naquele prédio. Menos de um ano, parece que foi. Mas brincamos muito. Eu na bici, lá e cá. Fazia o 8 e cortava o céu dela. Ainda ouço como contava seus saltos sem queimar a linha. A voz gritada na garagem fazia eco sempre com cheiro de escapamento. A malha pintada dos boxes baldios era nossa cidade. De um carro aqui e outro ali, fazíamos casas, esconderijos, estradas. Tinha tudo: padaria, farmácia, ponto de ônibus. Atrás do Chevete verde metálico do pai dela, era o ferrolho. Militar aposentado, ele. O meu pai não tinha carro. Outros carros de outros pais também estavam lá. Se não me engano eram das mães, donas de casa. Só pra buscar os filhos no colégio e ir ao super. Sim o apartamento do Zelador era ali, no garajão, de modo que eu sempre sabia quando ela descia pra brincar. Percebo agora o modo como alteramos nossas memórias com base nos conceitos que nos ensinam a lembrar coisas que não tinham nome na infância. Eu gostava dela sem saber que podia gostar. E depois já gostava gostando, mas não deu tempo de saber que podia gostar com outro nome. A vez que dei um beijo no magrinho do rosto, tenho certeza que pensei em doce e após pagar a prenda ela disse: agora eu me escondo!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Caminho do Livro

Distribuí e autografei, dia 06/06, mais alguns exemplares do meu livro com a História da Alfândega de Porto Alegre. Agradeço a Sônia Zanchetta e André Alves que coordenam o projeto Caminho do Livro pelo espaço. O programa é da Câmara do Livro e todo primeiro sábado do mês fecha a Riachuelo, no trecho das livrarias, com diversas atividades como saraus, sessões de autógrafos além das banquinhas dos livreiros. Agradeço também ao Isatir (na foto), primeiro autógrafo da tarde, pela recepção junto a sua livraria Isasul.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Os usuários

Cada vez se escreve mais e menos. Hein?? [entrar explicação, entrar explicação] Quero dizer: mais e mais pessoas escrevem textos menos extensos. Do romance pro conto, a redução pegou carona no vagão da era industrial. A leitura tinha que durar uma viagem de trem. Um só enredo. Um só efeito. Mais recente, o miniconto tornou o texto bem mais enxuto. É minivan. Passa batido. Pegou, pegou. Não pegou? Espera que vem mais. Poucas palavras, mas com direito à janelinha. Pode ser lido em qualquer lugar. Sentei no fundão de olho no livretinho em forma de caixinha de fósforos. As palavras fumegando no pensamento. A retina pendurada no chocalho das palavras. [exemplo!] Dizia assim: “ELVIS NÃO MORREU”, travessão, “Então, me vê mais dez gramas.” É do Samir Mesquita. Ótimo, né? Pô, o cara é 10! E porque gostamos? Porque temos pressa. Queremos efeito rápido. É como uma droga. Dependência. Fissura. Tremor. Mais sensação e menos prosa. Queremos novas idéias. Viver muitas vidas em poucas linhas. A crônica também acendeu, desde o século passado, uma chama devoradora ao leitor das maluquices da vida moderna. A turma não quer esperar. O conto é um vinho, degustado lentamente. A crônica é o chopp bem gelado e o miniconto é tapa na pantera! E com a internet muita gente tá escrevendo e tornando pública suas percepções e manias. Claro que a qualidade é escoltada pela quantidade das besteiras que se escreve. Normal! Com o texto impresso já era assim. Dos folhetins aos blogs os caracteres aceitam qualquer papel. Pode ser escrito por qualquer um, ou escroto por qualquer um. [rápido, risca o palito - tsssssssss] Podem deletar quase tudo e queimar tantas cópias impressas. Não importa! Do que ficar, algo será chamado literatura qualquer hora dessas. E que tal os miniblogs, no que se tornarão? Minicrônicas? A opinião restrita a 140 caracteres? Talvez sim, talvez quem sabe. No Twitter li duma guria que estava indo pra facul, tinha prova e achava que ia chover. Ok. Ok. Ninguém liga se o outro tem algo a dizer desde que diga rápido. Alguns mais eruditos comentam lançamentos de livros, filmes recém vistos, coisas bacanas e rapidinhas que serão lidas por outros que se acham mais eruditos ainda. [atenção, ironia: entrar no 3] Lembrei¹ agora do famoso² texto do Scliar³, “Os contistas” que dizem que é conto, mas acho que é uma crônica composta por vários minicontos. Poderia ser reescrito com a nova roupa virtual. “Os usuários”, seria o título. E traria um pouco dessa loucura das micronarrativas sendo escritas de um viciado em letras para outro. Disputas de belezas pra ver quem escreve mais rápido e brilhante. Bem não vou me estender muito neste texto, pois estou ansioso pra terminar o livrinho do Samir e ainda quero dar uma espiadinha no Twitter.

sábado, 16 de maio de 2009

O fim



Saiu novo e talvez último número da Revista Minguante, que por dois anos publicou virtualmente textos de micronarrativas. O tema desta vez foi "O fim".
Ao editor Luís Ene, agradeço o espaço e torço para que seja só estratégia de marketing e tão logo divulgue assunto para um próximo número.

Clique na imagem e leia minha colaboração.

The end (???)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma palavra


Minicontinho novorico abaixo...




Impropério


Foi de leilão. Baita apartamento! Área nobre da cidade. A desocupação, rápida. Nas paredes, riscadas com giz de cera, várias cores e apenas uma palavra: "emergente".




quarta-feira, 6 de maio de 2009

O Piloto e o Poeta

05 de maio de 1994. Lá se vão 15 anos. O Brasil ainda chorava a morte de seu herói da fórmula 1. Eu, no busão ,voltando da faculdade, chateado com a morte de Mário Quintana. Pela porta da frente do coletivo entrou um popular pra lá de embriagado: "bateu, forte! bateu, forte!" - ficava repetindo a narração do momento do acidente do Senna. E eu, ali a 55 km/h, pensando no poetinha que finalmente ia deitar de sapatos. As certidões hoje estão expostas na Casa de Cultura. Na de óbito, o nome completo: Mário de Miranda Quintana. Na de nascimento, de 30 de julho de 1906, apenas "M a r i o". Assim mesmo, sem acento e com letras espaçadas. Folha de rosto dos 87 anos lentamente bem vividos. "Bateu, forte! bateu, forte!" e chorava o borracho. O motora pediu pra ele dar um tempo. Lembro da vez primeira que vi o Mário passeando na Rua da Praia. Bem como aparece nas fotos. Meio reclinado. Bengalinha e ar de nem me viu. Andava por aí a examinar as ruas de Porto Alegre, tal fosse um corpo e muitas curvas. O porta voz da dor nacional desceu, falando mais uma vez, baixinho, "bateu forte, Ayrton". Como a vida é breve, pensei naquela noite no ônibus. Começa simples. Espaçada. Nos chamam pelo primeiro nome. Depois vai se compactando. Acelerando. Complicando. E conforme crescemos, diminuímos. Até que nos perdemos em alguma curva por aí. Mas eles não. Não os heróis. Não os poetas. O Senna ficará na memória do povo. Os outros passarão, Mário Quintana, passarinho. E lá se vão 15 anos!


POEMINHA DO CONTRA


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

-------------------------------------->Mário Quintana

Nova Publicação - História de Porto Alegre


GUIMARAENS, Rafael. A enchente de 41. Libretos. Porto Alegre, 2009.

A enchente de 41 ficou famosa na memória gaúcha. Recente publicação, com 100 páginas inundadas de ilustrações, registra com detalhes a calamidade que atingiu Porto Alegre. Fazendo diversas conexões com o contexto da época, o texto é leve e bastante informativo.
A chuvarada ocorreu entre abril e maio daquele ano, persistindo por 22 dias. Alagou boa parte do centro e alguns bairros residenciais, causando vastos prejuízos ao setor público e privado. Mais de 600 estabelecimentos fecharam as portas e, cerca de 15 mil casas tiveram que ser abandonadas até as águas baixarem. A cheia cobriu a Praça da Alfândega por completo, atingindo a Delegacia Fiscal, a Alfândega e outros prédios públicos.
O autor, Rafael Guimaraens, é Jornalista de formação pela PUC-RS tendo atuado no jornal Diário do Sul, como editor de política. Tem diversas publicações no currículo, incluindo os premiados Tragédia da Rua da Praia (2005), que recebeu o prêmio "O Sul, Nacional e os Livros" e Teatro de Arena – Palco de Resistência (2007), vencedor do Prêmio Açorianos 2008.
O lançamento é da Editora Libretos e o trabalho teve financiamento do FUNPROARTE, programa de incentivo à cultura da Prefeitura de Porto Alegre.

É aquisição obrigatória aos estudiosos e colecionadores da bibliografia sobre a capital gaúcha.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

1º de Maio: Comemoração ou Protesto?

O 1° de Maio é o Dia do Trabalhador. Feriado, que bom. A data marca a celebração e manifestação em várias partes do mundo. Historicamente é dia de defesa por melhores condições de trabalho. Mas afinal é dia de comemoração ou protesto? Os dois, o leitor dirá. Mas a postura adotada, aqui ou acolá não é fruto de acaso. Se os EUA importaram a Revolução Industrial da metrópole inglesa, de brinde ganharam o trabalho assalariado pago por jornada e a insatisfação dos operários americanos. Não tardou chegar também a consciência de classe e as greves. Em manifesto por uma jornada de 8 horas diárias, um incidente em Chicago em 1886, acabou em confronto e algumas mortes. Bem antes da guerra fria, na Segunda Internacional Socialista em Paris (1889), deliberou-se que o 1° de Maio seria o Dia do Trabalhador, em homenagem ao caso norte-americano. Em 1891, outro infortúnio. Foi a vez da França. Um protesto acabou com mais de dez mortes ratificando o dia internacional de lutas laborais. Nessa época o Brasil ainda respirava ares de trabalho escravo, com a tinta fresca no papel da abolição. Ainda na Primeira República, tiveram início diversas agremiações e organizações de operários fabris, cujas reivindicações marcaram as greves de 1917. Mais tarde com o trabalhismo da Era Vargas o enfoque mudaria para celebração. Desde então desfiles e concentrações destacavam o trabalhador e o aumento anual do salário mínimo. Atualmente no país há uma mescla das duas orientações: manifestações e festas populares ocorrem comandadas pela CUT e outras organizações sindicais. Apesar de reduzir a jornada de trabalho de 16 para 8 horas ainda em 1890, os Estados Unidos até hoje não comemoram o Dia do Trabalhador em 1° de Maio. Seu Labor Day funciona na primeira segunda-feira de setembro, desde 1887, no intuito de dissociar a celebração das manifestações radicais de esquerda.

"Trabalhadores do Brasil, um brinde a todos!!!"

domingo, 26 de abril de 2009

Conficções

Temos a tendência de só enxergar o imediato. Nossa percepção do tempo é muito limitada. Curta mesmo. O passado se dissipa num átimo (sempre quis escrever essa palavra), ainda quando o tempo pára numa fila de banco ou numa aula de contabilidade. Somos prisioneiros de um presenteísmo imediatista. Escravos do agora, agora, agora e seguimos montados no ponteiro mais magrinho do relógio, tiquetaqueando sem sair do lugar. Parece que só existe o hoje. Não há passado - já passou. E não há futuro - ainda não aconteceu. A premissa não é nova e nem se pode dizer que polemize (esquemão tão em voga na crônica pós-moderna). Santo Agostinho já se debatia com o tema em suas Confissões, acrescentando que para falar de passado e futuro era preciso ter a coragem de falar do que não existe.Chegou ao ponto de suplicar a Deus que mostrasse onde estava este tempo para além de nosso espaço. Não com essas palavras, é claro, mas em latim, língua da divindade católica. Ao tentar resgatar o passado, o historiador - cujo ofício é provar que aconteceu alguma coisa antes de ontem, depara-se com tantas versões e possibilidades que vê o real escapar entre os dedos de Chronos. Pode mesmo questionar a existência desse concreto de outrora. Aí é melhor mudar de profissão. Escrever ficção. Entretanto, às vezes, o passado bate à porta a fim de manter a ilusão intacta. Semana passada recebi um emissário que me conectou ao ano de 1905. Neto de um Inspetor da antiga Alfândega de Porto Alegre, citado em meu livro sobre a repartição centenária, trouxe uma coisa bonita. Cartões postais endereçados ao ex-dirigente da unidade aduaneira. Documentos que apontavam o tempo da terceira gestão daquele dignitário, conforme a pesquisa que realizei. Expliquei-lhe que não poderia ficar com os cartões, pois ainda não havia um espaço de Memória sobre a Alfândega e que era uma quixotada minha, não comprada pelos meus contemporâneos. Segurava o livro orgulhoso entre um leque de mãos a folhear os dias narrados de seu antepassado. Cidadão muito afável e nostálgico por um tempo que não conheceu, emocionou-se sem alterar o brilho nos olhos secos pelo ar condicionado em minha sala. Ofereci o exemplar de presente. Lemos o trecho que resgatava o segmento da história de seu avô, que depois, quase ao fim da conversa confessou não havia tido filhos, mas essa já é outra história.

Na imagem, Chronos dorme à beira de uma sepultura.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Friozinho

Estou gostando do friozinho esse ano. Eu disse frio-ZINHO. De outono, mesmo.
Provavelmente no inverno vou arrepiar como sempre.
Tô curtindo agora, como piá que entra num jogo.
Se o frio-ZÃO for foda, bueno aí...
não brinco mais.

A seguir um Haikai despretensioso, sem rigidez métrica:


Haikais de verão
Nos ventos de outono
Folhas A4 pelo chão

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tudo que é pó desmancha no ar

Finalmente percebi porque o talco caiu em desuso: os perfumes são péssimos. Fazendo incursão olfativa no supermercado não encontrei essências modernas. Dos tradicionais Johnson para bebê à Alfazema para os maiores, pouco se avançou. O artigo de toucador parou no tempo porque suas fragrâncias cheiram a vô e vó sentadinhos no ônibus indo ao médico. Já viu comercial do produto? A pergunta se estende aos últimos 20 anos. E jovem usando talco? Piercing no umbigo, elástico de griffe pra fora das calças e a nuca branca do pó? Não tem.
Que tal se houvesse odores agressivos, sedutores, sexys? Algo tipo “Speedy”, “Chocolate com pimenta”, “Hot pownder”.
O talco cheira a talco e o problema é esse: o cheiro. Não é nada contra a forma, o pó, pois temos hoje em dia até desodorante aerosol que é seco.
Até arriscaria defender o uso do talco. Ontem fui ao barbeiro e apesar de não ouvir reclamações dos meus vizinhos de cadeira, nem se negocia a farinhada lançada no pescoço. E sabe de uma coisa? É bom! Alivia a pele raspada. Ajuda a soltar os toquinhos de cabelo.
A única coisa que ainda não cheira bem no uso do talco, é o cheiro, pois depois da visita ao barbeiro temos que correr pra chuveirada em casa pra tirar do cangote os ares de outrora e com muita sorte não encontramos nossos avós que ponderariam: que cheirinho bom, meu filho, que perfume é esse? Alma de Flores?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Crônicas

Comecei na quinta passada oficina de crônicas com o Carpinejar (olha a cara dele na foto ao lado).
A idéia é pegar umas manhas para potencializar minha escrita ao olhar o efêmero, o rápido, o instantâneo. Não abandono o conto, mas para o blog é necessário uma escrita mais crônica. Ha,ha,ha. Que hilário! Uma escrita mais CRÔ-NI-CA. he,he,he.
O primeiro encontro foi 10! Provocador, além de dialogar bastante sobre as características do gênero (literário, é claro), já colocou a turma a produzir.


Abaixo meu primeiro tema de casa:

Delete

Tirar alguém de nossa vida não é tarefa fácil. Ainda mais quando se trata de caso de amor mal resolvido. Talvez fosse possível tentar o oposto. Para isso é preciso manter esse alguém ali, presente. Na sala de estar, no quarto, no guarda roupa, na dispensa, etc. Tentar colocar pra baixo do tapete não só não resolve como acabamos tendo que dar explicação pra diarista.
Rasgam-se fotos de papel. Apagam-se as virtuais. Arrancam-se folhas de rosto dos livros. Tudo inútil. É como se quanto mais negássemos a vida em comum, eliminando as grandes lembranças, mais ela se revelasse nos pequenos detalhes.
Podemos colocar fora até o último bilhetinho carinhoso que estava, meio de lado, preso nos ímãs da geladeira, mas fica a caneta. Livramo-nos da caneta, fica a tampa e na tampa tem a mordida, e na mordida tem o beijo e no beijo a boca. Deu! Não podemos nos livrar de nossas bocas. Impossível ou no mínimo desconfortável em situações como tomar sopa sem fazer aquele barulho de chupada na colher, que tanto irritava a criatura coabitante.
Luta inglória, esforço hercúleo, derrota certa. As músicas? Deletadas! O sabonete de leite de cabra que custou R$5,88, lançado na privada. Nada adianta. Não tem jeito. Na foto, partida ao meio, resta na metade conservada um braço por trás do ombro, um pezinho encostado na perna. No rádio da vizinha tocam nossas músicas preferidas. Todas as dez. E o maldito cheiro do sabonete de leite de cabra ficou impregnado no armarinho do banheiro. Entende? Isso persiste até que nos damos conta de que para esquecer uma pessoa é preciso colecioná-la. Resgatar com lupa e pinça pela casa os vestígios da vida a dois. Organizar um memorial. Fazer um blog. Um mural. Um santuário. Tietar até enfarar, enojar e apostatar. Só então, purgados de nosso vício, talvez consigamos esquecer aquela pessoa tão querida, fofinha, cheirosa, o amor da nossa vida. Onde
andará?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

RE-Voltei!!!

Escrever não é bonito. Se for bonito fica feio. Se for cheiroso, fede. Se for saboroso, enoja. Escrever é vomitar. É clichê, mas é verdade. [Aliás, dizer que é clichê é o maior dos clichês de hoje em dia.] E pra vomitar, ou alguma coisa caiu mal, ou a gente se empanturrou de algo bom. Pois nos últimos dias, semanas (ou foram meses?) me empanturrei de leituras e de vida. Até enojar. Até enjoar. Algumas leituras não caíram bem. Outras vivências me enausearam. Agora chega! Chamo Hugo. Ponho a cara na privada e exorcizo. Dou descarga e vou de novo. Dedo na goela até me ver ali na água de boca aberta. Volto à escrita desse blog como única forma de sobreviver a tanta coisa boa e tanta porcaria que tem por aí. E depois quando esvaziar totalmente as entranhas. Quando colocar pra fora até a bile e mais bile até virar bílis e baba. Quando arrotar só o cheiro da pele da parede do estômago. Bueno, aí eu vou sair pra jantar fora e encher o bucho de novo. Volte sempre!



domingo, 15 de fevereiro de 2009

Noc-noc-noc!


Lançado, na última sexta feira 13, com o tema Superstição, o décimo terceiro número da Revista Minguante, (ou seria melhor Revista Lua Cheia?)




Clique 3 vezes na imagem ao lado, enquanto faço figa,
desejando boa leitura.

sábado, 15 de novembro de 2008

Minguante número doze






Está disponível o novo número da Revista Minguante.
Este mês o tema foi "Fado".
Um desafio e tanto, mas enfim lá está minha contribuição.
E você está destinado(a) a visitar o link,
clicando na imagem ao lado.

Publicação na Veredas

Novo mini de minha autoria publicado. Leia abaixo... comente!



FIAT LUX


Não havia mais ninguém.
Deus apagou a luz e saiu.
No bolso, de souvenir,
Uma caixinha de fósforos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cada cabeça...




Tenho raspado a cabeça toda semana. O barbeiro sempre pergunta com o espelho ventilando atrás: - E, aí? Que tal? E eu sempre respondo igual: -Ficou horrível, semana que vem eu volto.



Hoje me dirigia para a Oficina de Escrita da Valesca de Assis, na Feira do Livro, logo atrás, um grupo de meninas. Gritedo próprio da excitação dos bandos. Uma delas largou. - Que cabecinha, hein?!
Não me contive: - se por fora é assim, tu imagina por dentro... hehehe.
Riram.
Cada cabeça uma sentença.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Feira do Livro de Porto Alegre

Cumpri a promessa. Este ano tirei férias no período da Feira que finda nesse domingo. E tem valido a pena. Inscrito em 03 oficinas, tenho aprendido um pouco mais com os mestres e conhecido pessoas interessantes com sonhos comuns. Já assisti ao Marcelino Freire, com suas técnicas para enxugar o texto. Esta semana, aprendendo com Valesca de Assis (com técnicas de desbloqueio da escrita) e com a surreal Lucila Nogueira na bem original oficina "Fluxo de Consciência e Surrealismo". Você acha que o título da oficina já diz tudo? Não chega nem perto... só quem fez sabe, hehehe.
Segunda passada participei como escritor da sessão de autógrafos da coletânea "104 que contam", lançada há algumas semanas e que já comentei aqui. Estava cheíssima. Agradeço ao Grandão e a Sô pela presença, ao Milton, ao Jonas da Dona Ilma(?), ao Luiz com Z, colega de escrita.
A Feira também é ótima para encontrar os feras da literatura gaúcha que sempre dão alguma dica aos iniciantes: o Kiefer, nem tem graça eu citar; o Juarez Guedes Cruz (yuhuuu, peguei autógrafo no seu novo livro, "Alguns procedimentos para ocultar feridas" que já estou lendo e é power!), o Altair Martins, um dos contistas de narrativa mais densa que conheço, também trocou algumas idéias. Isso entusiasma muito a gente e bem ... pena que está no fim... Ano que vem tem mais!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Livro divulgado no Café TVCOM

video

Atendendo a pedidos posto aqui trecho do programa Café TVCOM em que foi comentado meu livro "Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História". Não está completo, mas dá para ter uma idéia do destaque que deram para o trabalho. Tem algumas imprecisões nos comentários, mas enfim, valeu!
A procura ao livro tem sido grande e aos interessados informo que ainda temos exemplares para distribuir.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

104 Lançado

Agradeço aos que estiveram presentes no lançamento do Livro dos 104.
Aos que perderam, calma, na Feira do Livro terá de novo - dia 10/11, 20 horas, mesmo local - Memorial do RS.
A coisa toda lembra um pouco o clássico do Scliar "Os contistas", mas funciona. Ou será o conto dele que funciona? Enfim. Tava bacaninha. Amigos e familiares. A Pequena tirou as fotos. A mãe foi. Não conversou muito, pois vinha do dentista. O Santana, com dor na perna. Arrumamos uma cadeira. Os parceiros de escrita de sempre estavam lá. Com seus amigos e familiares. Pernas e dentes.







Na foto com Charles Kiefer e Mauro Paz.




O Kiefer esse ano é patrono da Feira. Coisa fina! Tava meio agitado, mas sereno. Assim mesmo, que antagonismo é próprio da inquietação dos que escrevem. Papinho rápido com a Isabelle Fontrin, Eni Allgayer, Dani Langer, Rudiran Messias, Mauro Paz, tudo gente boa que só vemos nos lançamentos e vão ficando tipo parente. Mas parente que só se encontra vez por outra. Tinha gente nova - a Márcia Schimit, muito simpática. Gente consagrada - o Juarez Guedes Cruz: eu sempre elogio seu conto "Kedon" e ele finge que foi a primeira vez. Hoje consegui conversar um pouco mais sobre seu livro "A Cronologia dos Gestos", Prêmio Açorianos - de que ano mesmo? Coisa de louco aquele conto da encantadora de serpentes. E o outro, do pai do Elvis, ele me disse de onde tirou a inspiração...Essa não conto. Aí ele perguntou se já li seu novo livro. Fiquei devendo. Quem sabe no lançamento do 105 teremos novos assuntos? Claro, sem deixar de elogiar: Kedon!

Na foto, em conversa com Juarez Guedes Cruz.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Lançamento


Participo de mais uma coletânea organizada por Charles Kiefer.
O texto apresentado é baseado em fatos reais (e quais fatos não o são?) e a história está ambientada no extremo sul do Brasil, onde trabalhei, na Aduana do Chuí.
Trata-se de um conto natalino e...
bem se quiser saber mais vai ter que ler o livro.

O lançamento será na próxima terça.

Aguardo você!

O que: Lançamento do Livro "104 que contam"
Quando: 21/10/08 19 horas

Onde: Memorial do RS (antigo Correio)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sessão Chocolate

Tava bem bacana a sessão de autógrafos no Chocolatão (Sede do MF/RS). Agradeço aos que estiveram prestigiando o trabalho e lembro do compromisso com a leitura do livro. Leiam e emprestem. O que todo autor espera depois de anos de esforço e pesquisa é que sua obra seja lida.

Estiveram lá muitos Joãos e várias Marias, outros Josés.

Também as queridas Angélica, Raquel e Mariana (às quais agradeço o convite e organização do evento);
Teve o Galli, Carlinhos, Clairton e Clau (que finalmente pegaram seus exemplares);
O Vicente, Laerte, Geremia, Miguel, e tantos outros...

Enfim faltaram livros e fica um gosto de "continua..."
Deixarei alguns exemplares na Comunicação Social da GRA/RS e seguiremos distribuindo na Inspetoria da Receita de Porto Alegre.

Até a próxima!!!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dando o serviço











Fonte Correio do Povo, 07/09/2008.


De 08 a 19 de setembro (sim saiu errado no jornal) estará aberta exposição no Edifício do MF (vulgo Chocolatão) alusiva aos 200 anos da criação do Ministério da Fazenda.
Organizada pela Assessoria de Imprensa da GRA/RS - Gerência Regional de Administração, a mostra é bem caseira, com cara de álbum familiar, mas tem agradado os visitantes. Tem fotos de unidades alfandegárias gaúchas e o texto é do Piro(técnico), again.

Dia 15 (segunda que vem), às 15 horas estarei autografando e distribuindo o meu livro da Alfândega.


Apareça !!!

domingo, 7 de setembro de 2008

Saiu no Correio do Povo





<-- Clique para ampliar.



Sigo divulgando...
Esta saiu no Correio de hoje.



Até para dar livro de graça
a gente passa trabalho
no Brasil.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Artigo Novo no Artistas Gaúchos

Tem novo artigo meu no Portal Artistas Gaúchos.
É um pequeno histórico da Alfândega para quem ainda
não se aventurou na leitura do livro.
Agradeço ao escritor Marcelo Spalding, editor do site pelo
espaço tão importante à cultura de nossa cidade e estado.





Clique na imagem da fonte e boa leitura. ------->

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Revista Minguante N° 11




Está on-line o novo número da Minguante.11. 1+1= caldo de amêndoas, seios, mãos, cheiros, gostos, tatuagens, 3 desejos, bocas, não-desejos, pés.
Desejos de uma vida inteira e até de além-túmulo. Estão todos lá!!!

Clique na gata ao lado para ler minha contribuição.
Delicie-se e cuidado com o que você deseja!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Deu na Zero Hora


- - - - - - - - - - - -Clique na imagem acima para ler - - - - - - - - - - - - - -

A coluna "Túnel do Tempo" publicada em Zero Hora dia 01/08/08 abordou a Bicentenária Alfândega tomando por base meu livro. Agradeço ao Olyr Zavachi pelo espaço. Segue a distribuição gratuita a interessados pela história da cidade.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pirotecnia na TVCOM

Vai ao ar no CAFÉ TVCOM deste sábado, 26/07 às 18h30min, com reprise no domingo, às 19h comentário sobre o meu livro da Alfândega de Porto Alegre.

Os apresentadores Tânia Carvalho, Tatata Pimentel, David Coimbra e José Antônio Pinheiro Machado (ele mesmo, o Gourmet) falaram da Alfândega e divulgaram a distribuição do livro. Pirotecnia necessária.

Para quem não é daqui e não conhece, o programa enfoca o mundo da cultura e do comportamento. Filmado nos mais descolados cafés porto-alegrenses, traz assuntos atuais com muita informação e bom humor.

NÃO PERCA!!!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Wikipedia


A Antiga Alfândega de Porto Alegre (atual Inspetoria da Receita Federal) está no Wikipedia. Foi usado um artigo meu como referência.
Tem ainda três fotos bem legais do prédio.

Clique na imagem e Confira!!!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Era uma vez na Gaúcha AM

Para quem perdeu o programa na Rádio Gaúcha sobre os primeiros anos da Alfândega de Porto Alegre, baseado no meu livro, postei aqui a gravação.
Não! Não é aí, Tia Francisca. Clica ali no "trianglinho"! Depois me liga, tá?

Atenção: este recurso pode não estar disponível em algumas redes de acesso. Não desista! Tente novamente em casa que funciona e vale a pena ouvir!

video

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Releituras


O PROJETO RELEITURAS É um "SÍTIO SEM FINS LUCRATIVOS" que tem como objetivo divulgar trabalhos de escritores nacionais e estrangeiros. Lá tem biografias e textos de autores consagrados, bem como espaço para novos autores. Dentre os iniciantes (iniciados?) temos nomes como o de Monique Revillion (Açorianos 2006), Wilson Gorj (recem lançado "Contos de Algibeira" - Casa Verde, 2007) e agora... eu com o já badalado conto "O dia em que Jonas saiu para pescar".


->Clique na imagem e releia:


domingo, 11 de maio de 2008

Revista Minguante N° 10



Está on line a nova Revista Minguante.
Trata-se de um número tão cheio de vícios que esperamos colocar o leitor em incorrigível dependência. Agradeço ao editor Luis N. por mais este espaço de publicação.

Clique na imagem e curta!------->

Aprecie sem moderação!!!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Gatuno

Entrou pela janela da cozinha. Encontrou restos na lixeira.
Comeu. Foi ao banheiro. Espalhou o papel higiênico pela casa.
Antes de sair, seus olhos brilharam para o canário de peito amarelo, dentro
do qual batia forte um pequeno, mas nada denunciador, coração.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Indiada no rádio

O Programa "Era uma vez em Porto Alegre" da Rádio Gaúcha enfocará a antiga Alfândega e terá como referência meu livro "Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História".
Vai ao ar, neste sábado (19/04 - Dia do Índio), às 08 da manhã.
A bugrada que acorda cedo apreciará!!!

terça-feira, 25 de março de 2008

Parábolas de Ezequiel - III












Detalhe de Pintura do velho Pieter Bruegel. Adoração dos Magos.

Os dois irmãos

O governo é semelhante a um homem que tinha por empregado dois irmãos: um ladino e outro tolo. Certa vez, um deles perguntou-lhe: Senhor, por que nos dais o mesmo pagamento, sendo eu tão diverso de meu irmão? E o patrão assim respondeu: acaso haveria algum proveito em semear a discórdia entre meus servos? Há sentido em separar o joio do trigo antes da colheita? Oh, Tolo! Aceitai vosso papel, pois enquanto vós trabalhais por dois, o outro me bajula para que não lance ambos aos porcos. E assim será até a consumação dos dias. Quem dentre vós tiverdes dois ouvidos cobri-os, pois às vezes melhor é nada ouvir que mau-entender.

sábado, 1 de março de 2008

Revista Minguante

A Minguante é uma revista digital editada por Luís N. (ou Luís Ene), escritor/blogueiro português.
Dedicada à micronarrativa e com periodicidade trimestral, a revista é espaço para experimentação e ensaios no novo gênero literário.

Na edição de Fevereiro/08,
publiquei 4 minicontos.

Clique na imagem e leia mais----------->

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Destaque: Portal Artistas Gaúchos

Conforme apresentação do próprio site, o Artistas Gaúchos é "um projeto feito por artistas, sobre os artistas e para os artistas". Iniciativa do escritor Marcelo Spalding, trata-se de excelente espaço para músicos, atores, escritores, roteiristas, produtores, etc. - consagrados ou em início de carreira - conhecerem-se, trocarem experiências e divulgarem sua arte.

"O mercado cultural cresce em todo mundo, mas cada vez mais os espaços são ocupados por grandes empresas, muitas delas internacionais, relegando a produção regional a segundo plano. Por outro lado, há no Rio Grande do Sul uma vasta gama de artistas, em todas as áreas, que mantém uma produção de fôlego e qualidade. Pois nosso objetivo é unir, reunir e fomentar essa produção local."

Visite e prestigie nossos artistas.

Colaborei com uma resenha sobre o livro "Coisas da Cidade", de Gilmar Benevenuto.

Clique na figura ao lado e leia----->

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Miniconto baseado em fatos ficcionais












Ilustração dele mesmo, Zéfiro.


Catecismo*

------------------------------------------------------------>Márcio Ezequiel
1 comentário

Clara disse: E ae, Rita, blza? No carnaval ficarei no Portinho, to querendo arrumar a casa, pintar alguns móveis, fazer umas almofadinhas... essas coisas que não dá tempo em dias normais... e tu? se ficar por aqui e o "carinha" não aparecer, me liga e quem sabe costuramos na overloque...como nos velhos tempos...

beijos, da sempre tua, Clarita.

_________________________________________
*Este miniconto foi baseado em obra de ficção. O enredo foi alterado, mantendo-se apenas os nomes das personagens. Qualquer semelhança com alguma criação artística ou literária pode ter sido mero plágio.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Releituras


Pseudocoax


33, 33
Trinta e três
Respire
Quero meus miolos de volta, doutor!
Pelo lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo foda e porra-louca dos doidõees
O lirismo dos manos, dos geeks e dos emos
A vida inteira que podia ter sido e... será?

->Na imagem: Manuel Bandeira

domingo, 6 de janeiro de 2008

Parábolas de Ezequiel - II











Fotografia:
Paul Schiek, Untitled, 2004.



O Sujo


O governo é semelhante a um homem que não possuía dinheiro suficiente para comprar ungüentos para passar nas suas axilas ou sabão para lavar os pés. E fazia manhã e tarde e suava. E comprasse a mirra, não lhe sobrava para comprar sabão. E comprasse sabão, já nada possuiria para comprar a mirra. Bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos narizes, porque cheiram. Assim, em verdade vos digo que até o final do dia algo acabará cheirando mal. Porque muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e cheirar o que vós cheirais, e não o cheiraram.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Parábolas de Ezequiel

A Dracma Perdida
O governo é semelhante ao homem que guarda os carros. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Eis que um certo dia o guardador não arrumou nenhum trocado. Já no fim da tarde estava com sua atenção voltada para um último automóvel estacionado, muito fino, para buscar o seu pagamento. Então se aproximou outro homem, bem mais pobre do que aquele, puxando uma carroça de recolher lixo. Seu dia havia sido de melhor sorte e o carrinho estava cheio de latas e plásticos e papelões e restos de alimento. O guardador, porém, lhe ordenou: dá um dinheiro! O pobre tinha apenas uma moeda, mas a deitou na mão de seu usurpador com a face de César voltada para cima. Enquanto isso o carro do homem rico saía sem deixar trocado algum. Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. No fim, alguém sempre paga a conta. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz ano (de) novo! Que tudo se realize!!!

10...9...8... Mais um ano se foi. Como lidar com um dia que é absolutamente igual a todos os outros trezentos e sessenta e quatro (ou trezentos e sessenta e cinco) de maneira diferente sem evadir-se das festividades? Aliás a maioria destas datas que nos deixam pesarosos e deprimidos como o Natal, nosso aniversário, etc. faz-nos pensar nos porquês: por que não fiz isso? por que não fui lá por que não disse aquilo? E as respostas são sempre as mesmas: ano que vem vai ser diferente, ah vai ser diferente. Vou lá, faço, aconteço e digo. E poderei dizer no final do próximo ano: que alívio... E pior que faremos quase tudo mesmo. Mas surgirão outros porquês até o próximo trigésimo sexagésimo quinto (ou sexto dia) do novo ano que se iniciou. É correr atrás do rabo. Ações incompletas. Portas não abertas. Palavras engolidas. E temos plena consciência disso justo na véspera quando não dá para consertar quase nada. É isso que nos deixa mal. A rigor, a coisa toda é complexa e confusa: como assim "saúde-pra-dar-e-vender"? Alguém aqui trabalha em plano de saúde? O "muito-dinheiro-no-bolso" tem algo a ver com isso? Todo mundo tem que estar feliz. Ah, mas o brasileiro é assim: tá ferrado e tu encontra o cara na rua e "aí, tudo bem?", "tudo". A solução talvez esteja em não se auto-prometer nada. Quem não deve não teme - é o que dizem, não é? O problema é que sempre tem alguém pra lembrar-nos do "que-tudo-se-realize". Pronto! Tá feita a cobrança. Não tem como escapar. Tudo serealizar é uma peso que não se pode carregar. Mesmo o mais misantropo enclausurado vai trabalhar dia dois e está sujeito ao "como-foi-de-festas?", "Tava jóia! Tuuuudo jóiinha!" Sem contar a superexposição da mídia: a São Silvestre, o Faustão, lentilha, porco, roupa branca e as previsões.
PQP! As previsões!
"Vai acontecer uma coisa boa para o Brasil"; "Vamos perder um artista querido"; "Vai ter um grande escândalo na política". Genial! Por que essa gente não adivinha os números da Mega Sena (ou da Loto Fácil, que seja) e abre uma empresa de saúde? Aí teriam o muito-dinheiro no bolso. Retrospectivas e perspectivas. Que saco! Se alguém esperava me ver soltando foguetes por aqui, perdoe-me o pessimismo. Peguei uma virose (que é aquilo que dá na gente com diarréia, dor no corpo e fraqueza e os médicos não sabem dizer o que é) e passarei a virada literalmente na merda. Mas enfim, tudo são vaidades. Tudo hipocrisia de nossa sociedadezinha pequeno-cabeça! Menos um ano...3...2...1

domingo, 23 de dezembro de 2007

Conto Comentado

Ao lado, "Cada um se diverte ao seu modo", de Zoravia Bettiol
Série Exuberância Primaveril I
Serigrafia - 1999


Eis a gravura que mencionei no último post. Lá está, na parede da minha sala. Certa noite fiquei pirando e tive o insight: e se aquele homenzinho vivesse dentro do peixe, tendo saído apenas por um instante para pescar? Daí a referência ao bíblico Jonas, tá ligado? Criei então o personagem com as três amantes (três grandes flores), sentado de costas ao "grande peixe do casamento", prestes a devora-lo.
Coloquei o foco narrativo sobre a suspeita da mulher, deixando uma ponta de dúvida ao leitor sobre o quanto da narração haveria ocorrido e o quanto seria apenas desconfiança da protagonista.

Segue o texto, boa diversão




O dia em que Jonas saiu para pescar


Milena nunca o pegou em flagrante. Chegou a seguí-lo e nada. Fez escândalos no trabalho de Jonas e pelas ruas do centro. Vergonhoso. Se pegasse era capaz de nem- prestava-dizer. Desde o começo já havia as tais pescarias. Não a perturbavam de todo. Só estranhava que nunca trouxe um peixe sequer pra casa. Diz que comiam lá mesmo e pescaria era coisa de homem. Sabe como é: dormir em barraca, cagar no mato e outras rusticidades. Quem ele pensava enganar? No serviço. No clube. Na padaria. Onde conhecia as vagabundas? Pior é que passou a se vestir melhor, andar bem barbeado e cheiroso. O filho da mãe até estava mais charmoso e a tratando com mais carinho, como no princípio do namoro. Então ela fazia o maior dos banzés e ele nem-te-ligo. Não fantasia, Mi! Estamos tão bem. Mesmo sem apanhá-lo em delito, julgava conhecer nitidamente cada uma das três amantes que o marido teve. Não pessoalmente, nem de nome, mas através dos perfumes e cheiros, dos fios de cabelo, das manias, palavras e risos desmotivados. Sentia uma presença perturbadora na sombra dele, colecionando indícios. Logo que percebeu um novo perfume, ficou confusa. Caso novo? Teve um certo prazer ao imaginar a dor que a primeira sentiria. Foi quando começou a chamá-las assim: a primeira, a segunda e por fim aquela menina, a terceira. No início ela também sofrera bastante. A mancha do batom, que sabia-não-era-seu, na manga da camisa de Jonas não deixara dúvidas: ele tinha outra e nem era dia de pescaria. Ficou virada num bicho. Furiosa. Depois chorou e se calou. Ele, impassível. Com a mãe e a avó fora igual. Os velhos aprontaram e ele aprontava. Não seria diferente pra ela. De fato, a relação já tocava num ritmo de mesmo tom que beirava a crise. Quando chega nesse ponto ou alguém inventa ou a coisa pode descambar para a separação. Ou insanidade. Jonas trouxe flores. Depois inventou as tais noites de canastra com os colegas. Só pra homens? Pois sim! Que comece o barraco! Tinha que ter mulher na jogada. Na volta pra casa ela analisava tudo. Bolsos. Carteira. Celular. Golas e punhos. Até o pouco-cheiro- de-cigarro era denunciador para a perícia de Milena. Ninguém dos teus amigos fuma durante o jogo? É uma reunião de crentes? Geração-saúde o caramba! Claro, que não podia ter cheiro. Ela não fumava. A primeira, não. Ah, aquele perfume... Milena guardava o que mais pode se aproximar de uma lembrança olfativa com um aperto no peito. Odor adocicado, aveludado, bordô. Devia ser francês. O abobado devia ter dado. Como seria a sua voz? Naquele feriado o silêncio no telefone só podia ser dela. Desgraçada! A gripe o derrubou e não teve jogo. Ficou esperando. Coitada. Às vezes, na rua, seguia fragrâncias semelhantes, porém nunca idênticas. A que mais lembrou o bendito cheiro encontrou no rastro de uma gringuinha, que nem de longe podia ser a linda morena de Jonas. Para Milena ela teria feições clássicas. Alta. Pele bem branca. Olhos tão escuros quanto a longa cabeleira. Uma madame. Já o perfume da segunda era repulsivo. Cítrico, áspero, verde. No cabelo seco a diaba tinha uma cor de fogo que exigia um deus-que-me-perdoe. Nos dedos de Jonas um cheiro mais forte, o ranço ardido da cândida com certeza. A primeira finalmente recebera o que merecia. Que peninha! Milena sentia uma certa angústia. Uma quase-saudade. Guardava os longos fios do negro cabelo da primeira numa caixinha de música que Jonas lhe dera quando completaram dez anos. Ele não mexia ali, odiava a melodia. Brega, brega. Milena desejava ter casado com aquela trilha. Da segunda mulher, ela guardou apenas três fios com um certo asco. Sentia cheiro de cigarro só de abrir a niqueleira em que depositou o cabelo vermelho. Deixou separados os mimos que Jonas trazia. Não que a morena merecesse, apenas não quis misturar as provas que um dia lançaria na cara de Jonas. Simpatizava com a primeira. Até sonhara com ela. Mulher fina, de pele macia. Aspirava a caixinha de olhos fechados, segurando os fios com a ponta dos dedos. Buscava captar por um segundo o velho aroma. Chorava ouvindo o Tema de Lara. Não raro se masturbava pensando em como Jonas a possuía. Com a segunda, não. Era uma sirigaita das mais chinfrins. Cheirava a dinheiro fácil. A sujeira. Foi com ela que Jonas aprendera aquelas porcarias na cama. A primeira não faria aquilo. Não, de jeito nenhum. Dela, Jonas só trouxe delicadeza, suavidade, ternura. Enquanto ele se esforçava para satisfazer Milena, ela buscava mais traços da musa escondida no corpo do marido. Depois, a segunda estragou tudo. Jonas quis forçar por trás a todo custo. Nem pensar! Ali não foi feito pra isso, que nojo! E devia gostar muito, pois esticou pra três noites por semana as saídas de jogatina. Cada um se diverte a seu modo. Agora, jogo de cartas? Por Deus, a pescaria era mais convincente. Uma. Duas vezes por mês. O fim de semana todo que fosse! Não se importaria. O Siqueira, colega dele, outro sem-vergonha, ajudava. Ligava confirmando o jogo e combinavam quem faria a janta. Descobriu que a segunda cozinhava mal. Muita cebola e fritura. Aumentou a barriga de Jonas. Teve que comprar roupa nova, mas o prejuízo não foi grande e a aventura durou pouco. Ultimamente tem malhado. Desce toda a Cavalhada de abrigo e alpargata. Ridículo. Sim, porque para a ninfetinha, para a terceira, o garotão tinha que ficar em forma, se não ela chutava o coroa. Essa não usava perfume. Jonas trazia no corpo somente o cheiro da pele dela. Não era ruim. Nem bom. Leve traço de suor, quase um cheirinho de bebê. Fedelha salobra! Para Milena já era sinal de taradice. Andava cheio de gírias, faceiro e todo ligeirinho. Hoje em dia é mais fácil que no tempo dos velhos. Não tem impotência que barre a putaria. No mínimo ela tirava dinheiro do trouxa. Só assim para uma guria agüentar o Jonas. Milena já estava cansada daquilo tudo. Tinha que tomar uma atitude. Por ela, pela família ou pela primeira, pô! Resolveu falar tudo. Ou tudo que podia admitir aos próprios ouvidos. Começou conversando depois brigou, chorou e implorou. Ela queria recuperar algo do romantismo perdido. Ele prometeu pensar em um jeito de reavivar a relação. Inventaria alguma saída. Não se falou mais em canastrinha e, com a benção de Milena, Jonas finalmente saiu para uma pescaria. Ela ficou em casa esperançosa. Nas mãos, a caixa musical em formato de coração. No último domingo, do outro lado da cidade, Janete, a legítima esposa de Jonas, preparou um delicioso peixe à escabeche. Como sempre, com muita cebola.


EZEQUIEL, Márcio. O dia em que Jonas saiu para pescar. In: KIEFER, Charles. (Org.) Novos Contos Imperdíveis. Porto Alegre: Nova Prova, 2007

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Duas mãos

Dona de vasta produção, a artista plástica Zoravia Bettiol tem diversos trabalhos com inspiração literária como a Série Kafka (1977) e, mais recentemente, a Série Trans-figurações de Quintana (2006), que belamente ilustrou o espetáculo "Sobre Anjos & Grilos".
No conto "O dia em que Jonas saiu para pescar" , (publicado na Antologia "Novos Contos Imperdíveis", organizada por Charles Kiefer), trilhei a outra mão desta via dialética entre as formas de arte, tomando por base uma gravura de Zoravia.














No dia do Lançamento, com Kiefer e Zoravia.





No próximo post colocarei o texto e a imagem.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Deu no Jornal






Tanto o Correio do Povo quanto a Zero Hora publicaram comentários elogiosos à Coletânea "Novos Contos Imperdíveis", organizada pelo Kiefer, da qual participei.
Ainda esta semana estarei comentando o Conto publicado e postando fotos do lançamento.



Clique ao lado para ler o que saiu no Segundo Caderno/ZH.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Novo Lançamento Imperdível!



Depois do aperitivo do Novos Contos Imperdíveis oferecido na Feira do Livro, finalmente chegou o momento do Lançamento oficial da obra.
Aqueles que não puderam comparecer terão outra oportunidade.
Organizado por Charles Kiefer, o trabalho traz ótimos contos selecionados através de concurso realizado no final de 2006, incluindo texto deste que vos tecla.

Livro disponível na Palavraria Café, Vasco da Gama,165 - Bom Fim, Porto Alegre, RS.
ou on-line: Best Books

Aguardo vcs!
[ ]s.

domingo, 25 de novembro de 2007

Game Over

------------------------------------------>Márcio Ezequiel

O lugar era discreto. Uma tabacaria. Vidro fumê. Só para clientes da casa. As máquinas ficavam na sala dos fundos. Entrou, sentou e jogou. Perdeu, bebeu e jogou. Fumou, jogou e ganhou. Apostou tudo até a última moeda. Mas desta vez não perderia sozinha. A denúncia estava feita e a polícia, quase chegando.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Palestra na ULBRA


Ontem realizei palestra na ULBRA - Universidade Luterana do Brasil - Campus Guaíba sobre a Alfândega de Porto Alegre. Foi muito bacana e durante duas horas conversamos sobre história e cultura, destacando as mudanças neste espaço central da capital gaúcha, bem como sobre a experiência da pesquisa histórica de resgatar aspectos da "cidade invísivel", da Porto Alegre de outros tempos.
A entrevista inicial conduzida pelo Professor Coordenador do Curso de História, Carlos Hees, permitiu-me abordar desde detalhes do projeto de pesquisa (levantamento de fontes, metodologia, etc) até pontos como a montagem final do livro, a diagramação e o patrocínio.
A simpática e participativa platéia contou com alunos de nível médio e da graduação de história. No final teve sorteio de livros e sessão de autógrafos (again).
Estiveram lá o Rodolfo (com l), a Thamiris Abbad (colei o nome para não esquecer, hehehe), as professoras Cláudia e Madalena, a Letícia, a Milena ( será que era com y?), o Vitor, o Carlos Petersen, a Greici, a Evellyn e tantos outros que fizeram da apresentação um sucesso.
Abração a todos!!!

sábado, 17 de novembro de 2007

Fábula Urbana


----------------------------------------------------------------------->Márcio Ezequiel

O triângulo amoroso entre o Morcego, a Pomba e a Barata foi rápido e rasteiro.
Acabaram todos na sarjeta.
MORAL: NENHUMA.

domingo, 11 de novembro de 2007

Fim de Festa

Na foto, sessão de autógrafos após a palestra sobre a Alfândega de Porto Alegre que proferi dia 08/11. Abraços para a Morgana, da Biblioteca Pública pelo convite, ao Miguel Duarte, do Instituto Histórico e Geográfico por instigar com seus questionamentos, ao Maurício Vianna, propagador da cultura e do turismo e aos demais que se fizeram presentes.Então tá, o grande Faraco, Destaque Literário 2007 e lá se foi mais uma Feira do Livro de Porto Alegre. Acaba assim. Tipo ressaca. Segunda-feira de cinzas. Cinza da Sepúlveda desnudada das barracas sendo desmontadas que verei da janela da Alfândega. Cinza da saudade que se inicia. Saudade de tantos rostos. Tantas frases. Tantas idéias. Todo ano é igual. E todo ano é diferente. A feira sempre cresce um pouco, assim como nossa fome por cultura, por conhecimento, entretenimento. Estamos bem abastecidos com os livros e o saldo será mais uma vez positivo. Tudo que eu quero dizer agora é que teremos mais a contar do que as melhores piadas do cafezinho, um segredo que todos já sabemos: ano que vem tem mais! Novas leituras. Novas amizades. Novos sonhos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Autografado o Histórias de Trabalho

Tava muito bacana a Sessão de Autógrafos do Histórias de Trabalho. Tanto pelo que foi, como pelas possibilidades. A colega e amiga Ana Mello, estava na mesa em frente, autografando o Poemas no Ônibus. Até o Tatata apareceu, deu umas piruetas entrevistivas e se foi. Valeu pelos presentes (recebidos) e pelas ausências de sempre. Pela Dinda, a Pri e a Kelly (e o gordo, que ficou em casa com o pé machucado, mandei abração). Pela Mara, primeiro autógrafo da noite, que me deixou um poema num guardanapo do Macdonald's sobre o conto publicado - este vocês não vão ler, é meu, hehehe. Amigos (conhecidos), a turminha do ALEPH - Verinha, Rodrigo, Dudu (digo, Eduardo) e tantos outros novos rostos que nos vimos pela primeira e quem sabe última vez (e de fato, ninguém sabe): a "Dona" Josefa; O Saulo Almeida (o homem do vinho que também deseja ser lido), a colega Luiza (com z), que passou o livro para a mesa assinar e teve a sorte de tê-lo de volta. A linda menina Jenifer (que talvez vire bailarina, escritora, ou personagem), a Helen (com N), o Itamar, o Jader, sim estavam lá, a Rosalia (Lia Cult), e eu que por apenas alguns segundos pude espiar para além do continuum vitae, sobre a premissa essencial de nossa existência: nós mesmos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Tempo de Ler

A Feira do Livro de Porto Alegre me angustia.
Angustia porque não posso desfrutá-la plenamente. Claro que não estou sozinho neste sofrimento de ausências agendadas. Todo leitor, escritor que trabalhe perde grande parte da programação. O que me tortura é trabalhar na Alfândega, ou seja dentro da Feira. Palestras, oficinas, saraus, tudo "além da imaginação".
Eu, espiando da janela.
Ontem assisti a um episódio do TWILIGHT ZONE, que alguns de vocês talvez lembrem: Time is enough at last (Tempo Suficiente, 1959). O personagem principal, Mr. Henry Bemis, é um leitor compulsivo, louco por leitura. O conflito se estabelece no fato de ele não conseguir tempo para ler. Trabalhando em um banco, espia no seu guiche algumas páginas por trás de um super fundo-de-garrafa. Comenta sobre os textos com os clientes, o que resulta em mijada do gerente. Em casa a esposa também não o deixa ler. Ela rasga seus jornais. Risca seus livros, etc.
A sensação é de pesadelo.
Chega então o deus ex maquina para resolver: Uma Bomba H destrói tudo e mata a todos. Ou melhor, quase tudo e quase todos. Mr. Bemis é o único sobrevivente, pois estava dentro do cofre do Banco no momento da explosão. Após algum tédio e desespero, ele vê a biblioteca de sua cidade. Reune, então, os melhores exemplares intactos para seu deleite. Faz pilhas de livros. Organiza uma agenda de leituras nas escadas em frente ao prédio semi-destruído. Está radiante! Enfim terá tempo para ler. A vida toda. Pula de alegria. Seus óculos caem e quebram.

Estou decidido. Ano que vem tirarei férias na época da feira (e terei um par de óculos extra).

domingo, 28 de outubro de 2007

Lançamento e Sessão de Autógrafos


Ontem autografei o Livro A semente e o Verbo, organizado por Caio Riter e patrocinado pelo SINTRAJUFE/RS.

Na coletânea, autores consagrados como Sérgio Napp e Marô Barbieri. Participantes da oficina de Caio e vencedores do 3°Concurso Literário Mário Quintana promovido pela entidade.








Ao lado, instantâneo com o Organizador.- - - - - - ->




Nomes já frequentes na produção literária como Carla Laidens e Maurício Chemello, do Grupo Teia de Poesia; Pablo Moreno e Mara Faturi integram a Antologia, dentre outros, incluindo o Pirotécnico que vos ilumina aqui.

A sessão de autógrafos foi bem legal. Sem trocadilhos, tivemos a presença de Lehgau-Z Qarvalho (e obviamente me neguei a escrever o nome dele no livro, pra não errar, é claro, hehehe).

Saudação especial aos leitores Luís (com z), Luísa (também com z), Dona Marlene, personagem ficcional do conto publicado, que pediu para alguém pegar o autógrafo para ela - mais uma da série "Mais estranho que a ficção", hahahaha - e ao leitor mirim Jerônimo que solicitou que eu não me estendesse muito no autógrafo, o que tomei por um convite ao verbo. Abraço a todos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

53ª Feira do Livro de Porto Alegre







A Feira do Livro de Porto Alegre é uma festa!
São duas semanas fantásticas. Saldos, promoções, Praça de Alimentação, Eventos literários e oficinas. Conhecemos autores, editores, leitores, fazemos novas amizades.
Abaixo calendário com minhas participações de estreante na Feira deste ano.
Apareça!!!




Sessão de Autógrafos
Livro: "A semente e o verbo"
Dia: 27 de outubro, às 18h.
Local: Memorial do RS,(Antigo Correio).

Sessão de Autógrafos.
Livro: "Novos Contos Imperdíveis"
Dia 31 de outubro, às 14h.
Local: Memorial do RS.

Sessão de Autógrafos.
Livro: "Histórias de Trabalho"
Dia: 06 de novembro, às 20 horas.
Local: Memorial do RS.

Palestra e sessão de autógrafos.
Livro: "Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de história"
Dia: 08 de novembro, às 19 h.
Local: Auditório Luis Cosme - 4° andar da Casa de Cultura Mário Quintana.

Premiação


Na sexta-feira, dia 26/10, haverá coquetel de divulgação dos contemplados no 3° Concurso Fotográfico e 3° Concurso Literário Mário Quintana, promovido anualmente pelo Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário. Premiei o conto: Matinê.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Lançamento do Livro da Alfândega


Agradeço a todos que estiveram presentes no lançamento de meu livro. É muito bom trazer a público personagens,histórias e tantas informações coletadas em 3 anos de pesquisa.
Agora os velhos espectros que me acompanharam nas horas extras que fiz na Inspetoria estão satisfeitos no universo paralelo que criei para eles.

domingo, 23 de setembro de 2007

Notinha no Correio do Povo


O espaço foi modesto, mas mídia é mídia.
Pelo menos estou bem acompanhado.
Mesmo caderno que o Donaldo Schüler e os patronáveis da Feira do Livro,
Juremir Machado da Silva e Luiz Coronel.
Este definitivamente não foi foguetão, foi "peidinho de véia" mesmo.
Talvez alguém veja. Hehehehe.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Lançamento!!!

Chega de Terrorismo!!!!
Finalmente o lançamento do meu livro
"Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História"
tem data marcada.

Local:
Auditório da Inspetoria da Receita Federal
Av. Sepúlveda, S/N. Centro. (Atrás do MARGS)
Porto Alegre/RS.

Data:
18/09/2007 (terça-feira)
Horário: 17 horas


Aguardo a todos.
Márcio E.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Mais estranho que a ficção

Ouroboros ou Uroboro é a figura medieval ligada à magia e alquimia em que uma serpente ou dragão come a própria cauda simbolizando a repetição cíclica e universal da vida (e da morte). às vezes a vida imita a arte. Noutras, a arte imita a morte. É lugar-comum, eu sei. Mas o real não é um grande lugar-comum cheio de clichês?
Pois ontem, dia 05/09, um escritor polonês foi condenado em primeira instância pelo assassinato de um empresário ocorrido em 2000. O suposto crime teria sido descoberto através de um romance seu, publicado há cerca de quatro anos, no qual ele descreve homicídio semelhante ao caso até então sem solução. O autor, Krystian Bala (não, ele não usou arma de fogo) teria torturado o empresário Dariusz Janiszewski por julgar que ele tinha um caso com sua mulher. O acusado teria amarrado as mãos da vítima para que não pudesse nadar e o submetido (ou submergido) à tortura nas margens do rio Oder.
Conforme a definição no Wikipedia, o ouroboros é "um símbolo do perpétuo retorno, o círculo indefinido das renascenças, a contínua repetição, com a predominância duma fundamental pulsão de morte." Segundo noticiado na Folha de São Paulo o escritor, que também é mergulhador, teria inclusive usado técnicas de respiração para controlar seus sinais no detector de mentiras ao ser interrogado. Alegou que escreveu o romance com base na leitura dos relatos do crime na mídia. Segundo a investigação realizada ele teria lançado mão de detalhes somente conhecidos pela polícia.
O verbete no wikipedia acrescenta ainda que "a serpente mordendo o rabo, fechando-se sobre o próprio ciclo, evoca a roda das existências, como condenada a jamais escapar ao seu ciclo, para se elevar a um nível superior." Quem sabe esta história não virará roteiro de um filme ou plot de um novo romance cheio de clichês: "O Oruboro Assassino".

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Matéria no Diário: Microcontos e oficinas
















A matéria acima foi publicada no Diário de Cachoeirinha dia 17/08.
Clique para ampliar e leia!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Matéria no Jornal do Centro



(Clique para ampliar e leia a matéria.)

Devido a problemas na gráfica, haverá um atraso no lançamento do meu livro "Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História".
Assim como a Alfândega não foi construída em "um só dia", publicar suas memórias também é "Obra de Santa Engrácia".
Logo divulgarei a data de Lançamento.
Aguardem!!!


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Elvis phone home








"Eu não imito ninguém."
Elvis Presley



Hoje fez 30 anos que Elvis sumiu. Alguns ainda dizem que o viram por aí. Teorias de conspiração apregoam que forjou a própria morte e fugiu para algum lugar da América do Sul com o nome de John Burrows. O dia foi escolhido: 16/08/1977 que com os dígitos somados resulta em 2001, título do filme favorito do ídolo e cujo tema abria suas apresentações em Vegas. Apenas um dos muitos supostos indícios. Pirações a parte ele ainda é o artista falecido que mais fatura no mundo.

Filmes como Independence Day e MIB brincam que teria voltado para casa (o espaço). Quem sabe nestas efemérides em que as imediações de Graceland ficam repletas de impersonators (imitadores) ele não ande lá pelo meio, disfarçado de fã.


Leia abaixo o texto que escrevi em 2005, quando o cantor completaria 70 anos.




Taking Care of Business

Márcio Ezequiel

É impressionante o resultado da criatividade humana sobre as grandes criações. O homem cria, copia, transforma e por fim destrói. Sempre dá um jeito de destruir. Não foi por pouca coisa que Santos Dumont se suicidou. E sequer foi pela forja dos irmãos Wright. “That´s all right!” Foi por ver seu invento usado para fins bélicos. Einstein não chegou a tanto, mas deve ter relativizado muito ao ouvir que teve dedo (ou neurônio) seu nas bombas atômicas detonadas na segunda guerra. Quem deveria mesmo ter se suicidado foi Graham Bell. Por favor! O telefone transformou-se na pior bomba do século XXI. Secretárias eletrônicas, tele-mensagens, tele-marketing, enquetes televisivas, celulares (pré e pós-pagos em todas as cores e tones insuportáveis), operadoras telefônicas enfim a coisa toda exige uma bolsa escrotal de banda larga! Já imagino a inteligência artificial surgindo a partir desses pequenos monstros. Não haveria exterminador capaz de controlar tamanha ameaça. Mas não sejamos tão injustos com as pobres máquinas que ainda não adquiriram consciência própria. Pior são os operadores humanos por trás dos microfones dos tele-atendimentos. São friamente treinados para agir sem consciência alguma. Inteligência? Os seus patrões têm de sobra.
É o caso das prestadoras de cartão de crédito. Cancelar um cartão depois de assiná-lo é uma tarefa praticamente impossível.

Inicia-se ligando para o número que consta na fatura: 40014455, que não é gratuito, claro. Atende uma voz eletrônica:

- “Atendimento ao cliente Credincruz, digite o número do seu cartão.”

4004 3754 8789 0542 9 - digito rapidamente

- “O número digitado não existe. Digite o número do seu cartão.”

4 0 0 4 3 7 5 4 8 7 8 9 0 5 4 3 9 – teclo pausadamente dessa vez.

- “Para saldo, digite 2; para detalhamento da fatura, digite 3; para comunicar a perda ou roubo do cartão, digite 4; para qualquer outra informação, digite 5; para falar com um de nossos atendentes, digite 6.”

- "Seis... aguarde um instante, logo estaremos atendendo você...”

Rubberneckin´Remix toca enquanto se aguarda. Tudo superanimado. É a filosofia da empresa.

8 segundos depois...

- Credincruz, bom dia, atendente Miguel as suas ordens - diz o funcionário com leve sotaque paraibano. Leve, pois eles são treinados para só falarem com sotaque se for necessário.

- Bom dia. É o seguinte: eu tenho um cartão titular, mas não o estou utilizando, apenas o mantenho para que minha esposa utilize o cartão adicional. Não acho vantajoso pagar a anuidade que veio na fatura deste mês, gostaria de fazer o cancelamento.

- Cancelamento, senhor?

- Sim, na verdade ela pretende adquirir seu próprio cartão titular.

- O senhor deve ligar para o número 40019944 , que é o setor responsável.

- Ok. Obrigado.

4 0 0 1 9 9 4 4

- "Você ligou para 40019944, se estiver em uma capital, ligue para 40019955, se estiver em qualquer outra cidade do interior, ligue para 080040019933." Detalhe: para o interior é 0800, gratuito, nas capitais tem que pagar! Como se não bastasse, o número indicado para as capitais é o mesmo aquele, o da fatura.

4 0 0 1 9 9 5 5

- “Atendimento ao cliente Credincruz, digite o número do seu cartão.”

4 0 0 4 3 7 5 4 8 7 8 9 0 5 4 3 9

- “Para saldo, digite 2; para detalhamento da fatura, digite 3; para comunicar a perda ou roubo do cartão, digite 4; para qualquer outra informação, digite 5; para falar com um de nossos atendentes, digite 6.”

- "Seis... aguarde um instante, logo estaremos atendendo você...”

Rubberneckin´ tocando. Já não parece tão animada quanto da primeira vez. Não é o remix. A inteligência artificial do computador deles já identificou que estou ligando novamente.

- "Credincruz, bom dia, atendente Michele às ordens" - hoje desconfio de que fosse o mesmo Miguel fazendo voz de mulher com o leve sotaque de carioca.

- É o seguinte..., eu liguei ainda há pouco... eu tenho um cartão, cartão titular, mas não o estou utilizando, apenas minha esposa utiliza o adicional. Não tem sido vantajoso para mim ... - a esta altura me liguei que ela/ele não atenderia minha solicitação e pergunto: seria contigo?

- O senhor deve ligar para o número...

- Já liguei, moça, e uma voz eletrônica me deu esse número que é o mesmo que está na fatura!

- O senhor está ligando de uma capital?

- Sim.

- Só um momento estou transferindo para o setor responsável.

Memories tocava e uma voz com eco ressoava ao fundo como se derretesse para dentro do ouvido:

- “Por favor aguarde, nossas posições estão ocupadas, logo estaremos atendendo você...”

2 minutos de repetição e caiu a ligação!

4 0 0 1 4 4 5 5

- “Atendimento ao cliente Credincruz, digite o número do seu cartão.”

4004 3754 8789054 3 9

- “Para saldo, digite 2; para detalhamento da fatura, digite 3; para comunicar a perda ou roubo do cartão, digite 4; para qualquer outra informação, digite 5; para falar com um de nossos atendentes, digite 6.”

- “Seis...”

Já não há música alguma. Só o silêncio. 54 eternos segundos se passaram à R$3,00 o minuto.

Indicador no gancho! Dedo médio no redial. Estou ficando esperto e não vou digitar tudo novamente.

40014455400437548789054396

- " Hello, Mr.Burrows residence."- atende com uma voz suave alguém de algum do lugar do exterior. Desligo rapidamente, mas já foi tarifado. Não! Nunca use o redial com tantos números na memória.

4 0 0 1 4 4 5 5

- “Atendimento ao cliente Credincruz, digite o número do seu cartão.”

4004 3754 8789 0543 9

- “Para saldo, digite 2; para detalhamento da fatura, digite 3; para comunicar a perda ou roubo do cartão, digite 4; para qualquer outra informação, digite 5; para falar com um de nossos atendentes, digite 6.”

- “Seis...”

- Credincruz, boa tarde, só um momento por favor.

Agora toca “Viva Las Vegas”.

- Só mais um momentinho, por favor.

Que coisa! Como podem saber que gosto de Elvis?

- Quem me dera o dia tivesse mais de 24 horas...

Ouço um risinho no fundo.

- Alô, alô!Tem alguém aí?

- Sim, bom dia, atendente Mikael às ordens.

- Olha, já faz horas que estou tentando ser atendido e não consigo.

- Pois não, senhor?

- É o seguinte: Eu quero cancelar a droga do meu cartão titular e o adicional, pois não tenho interesse em continuar mantendo a titularidade somente para minha esposa utilizar o cartão.

- O senhor não está utilizando o cartão titular, correto?

- É, não estou.

- O senhor não tem interesse em manter essa excelente linha de crédito, aceita em 150 países e mais de 20 milhões de estabelecimentos por todo o mundo?

- Não.

- O senhor aceitaria uma redução no valor da anuidade para continuar desfrutando das vantagens de seu cartão Credincruz?

Penso comigo: só se for para não pagar mais nada, caso contrário cancelo estas porcarias.

- Não seria possível conseguir uma isenção? – arrisco no embalo de “It´s now or never.”

- Só um momento senhor, estarei consultando a administração para analisar sua proposta.

Começa a tocar “If I can dream.”

Meia música depois...

- Hoje é seu dia de sorte, consegui uma excelente proposta para o senhor: isentaremos a taxa do cartão titular e o senhor terá que pagar somente o cartão adicional.

- Fechado.

Ganharam mais uma vez. Ano que vem veremos.

Ainda bem que não tocou “Always on my mind”, pois acabaria pagando o valor total exigido na fatura.

...Give me, give me one more chance
To keep you satisfied,

satisfied.

domingo, 5 de agosto de 2007

O dia dos pais está chegando!





Escolher presentes sempre foi difícil para mim .
O pessoal diz que tenho um talento nato em fazer as piores escolhas.
A gente faz o que pode. O conto a seguir bem poderia ser o presente deste ano...




PRESENTE DE GREGO


Márcio Ezequiel

- Não! Nem lenço, nem meias. Isto o Luís já disse que é coisa de velho.
- Que tal um saca-rolha?
- Capaz! Já temos dois no uso, fora aquele na parede, no garfinho de madeira.
- Não, Bê. Não desse tipo... Quero dizer aquele dos bracinhos. Igual o da vó, que “alguém” brincava fazendo polichinelos e namorando a Barbie, lembra? Deve ter até no 2,99.
- Porcaria não! Este ano que estamos trabalhando vamos dar um presente legal!

[Silêncio]


- Podemos baixar aquele show do Elvis que ele tanto gosta e gravar num DVD. Que tal?
- Não, não. Isto já fizemos em 2003.
- Ah, mas foi só o áudio e em CD.

[Olhar parado]

- Raquete?
- Quê?
- Raquete é jovial. De paddle. Coisa fina!
- Aha... Vai pagar o clube também?
- Putz, é mesmo.
- 52 não chega a ser velho, mas também não é gurizão, né?
- Pior. Por que deu pra ele aquela bolinha de tênis então?
- Tu sabe que encontrei a bolinha na rua.
- Tudo bem... Esperamos então ele esbarrar numa raquete, enredar-se numa rede e aí adeus ao número um do ranking mundial.
- Eu era criança... Por favor, Berenice, dá um tempo! Ele até perdeu aquela bolinha. Tu sabe que ele gosta é de futebol.

[Tic-tac, tic-tac, tic-tac]

- Ah!
- O quê?
- Nada. Deixa.
- Agora fala. Já falou tanta bobagem mesmo.
- Aquele radinho de pilha tá um caco, quem sabe se...
- Nem pensar! Ali é amor antigo. Ele diz que aquela fita isolante cobre as derrotas e segura as vitórias.
- Putz! O que segura são as pilhas. Hehehe!


[Blim-blom]


- Mãe ajuda aqui. O que podemos dar pro pai esse ano?
- Ué, um parzinho de meias tá ótimo.
- Dãããããã...


[18 horas e 31 minutos depois, no café da manhã do Dia dos Pais]
- Adorei o saca-rolhas, filhos.
- Lindão, né pai. E olha que custou só...
-Quieto!

sábado, 28 de julho de 2007

The Last Supper













Na foto a Santa Ceia, por Mel Brooks.

Receita de sucesso para aparecer:

Slavisa Pesci, um especialista em informática escaneou a gravura da "A última Ceia" do Da Vinci e fez uma sobreposição da imagem sobre ela mesma e disse ter encontrado a figura do que parece um cavaleiro templário e uma mulher segurando um bebê, que seria a Santa Maria.
O site do sujeito: www.leonardo2007.com já até saiu do ar com milhões de acessos. A montagem em si ele ainda não mostrou. Agora cria um suspense mundial antes de apresentar seus "estudos" para aumentar as supostas vendas. Boa sorte! Quem sabe a revista do Mad não compre a imagem e faça uma daquelas dobras nas páginas centrais? Depois do suce$$o de Dan Brown, tem tudo pra dar certo.

terça-feira, 24 de julho de 2007

2 minicontos sobre fé - em tons de cinza










Foto do autor.
Lugar(in)certo.




A suposta luz vista no túnel era uma vela, já no fim.

* * *

História de um Salvador.

Agradou a todos, morreu.

----------------------------------------------------->Márcio Ezequiel

sábado, 21 de julho de 2007

Museu da Língua Portuguesa


Para quem ainda não conhece o Museu da Língua Portuguesa, quero registrar que é um passeio imperdível. Ponto de encontro com a língua, a literatura e a história. Ao invés de paredes, vozes.

No lugar de obras, espaços interativos.
Fica em São Paulo, na Estação da Luz.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Matéria na Revista Tributus

Aos que durante os últimos 3 anos clamaram, informo:
O livro "Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História" já está na gráfica.
Sexta (20/07) pegarei o copião para última verificação e semana que vem vai rolar a impressão.
No trabalho traço um panorama da instituição que deu nome à mais famosa praça da capital gaúcha.


Veja a matéria ao lado (clique na imagem para ampliar) sobre o livro, publicada na Revista Tributus, do Sindireceita - Sindicato dos Analistas Tributários da Receita Federal, que aceitou patrocinar a publicação.
Também disponível em:http://www.sindireceita.org.br

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Histórias de Trabalho


Foi dia 11 de julho no Teatro Renascença, conforme divulguei.
Aos presentes, valeu.
Aos ausentes, sorry, estava como diria a Kátia: "tri-bacana."
O Sarau Elétrico com os textos premiados foi bem divertido e agradou
a platéia que lotou o teatro.
Aos curiosos: a canja foi do Charles Master com violão e voz rouca de gripe.

Livro a venda na Ilhota no Centro Municipal de Cultura.

domingo, 8 de julho de 2007

Miniconto no Veredas


O Veredas é um site-revista-virtual coordenado pelo escritor Marcelo Spalding com o intuito de incentivar a leitura e a escrita da micronarrativa. Vale a pena conferir!
Na última edição aparece um foguetinho meu.
http://www.veredas.art.br/

Texto Publicado no "103 que Contam"






Clique para comprar: Livraria Cultura







O Conto a seguir foi publicado em 2006 na coletânea organizada por Charles Kiefer (foto ao lado).
Ensaiei um fluxo de consciência a partir dos momentos finais da vida do personagem e o texto pode exigir um certo fôlego devido ao recurso literário utilizado e...enfim, boa leitura!


Impressões da travessia


---------------------------------------------------------------->Márcio Ezequiel

Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem cousa nenhuma, nem tampouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Eclesiastes 9:5

Ela, que tantas vezes o amara por completo, agora apenas segurava-lhe a mão. Não sabia o que dizer. Buscava um sinal de consciência no parado dos olhos. Sentia uma dor que já era dos dois. Nenhum argumento de consolo precisava ser dito. Olhava-o em silêncio. Inadequado seria qualquer verbo. A foice falava por si. Nada poderia solver aquele instante de eternidade. Não se conhecia um antídoto. Enigma dos enigmas... O corpo dele estava aquecido, provavelmente ainda febril. As céticas linhas do termômetro não traziam novidade havia dias, sequer despertando a curiosidade.

Embora distante, parecia-lhe sereno. Como se sozinha estivesse, chorou com toda a maciez de uma estranha tristeza; com toda a suavidade de um dia chuvoso de inverno. Seu choro não produzia som. Escorria gentilmente, quieto e constante; sem o clímax catártico que talvez trouxesse o alívio almejado. Não fosse a grande travessia que estava por vir, tal fonte não mais secaria. Continuaria a verter como desde antes, tão rigidamente leve como sua respiração; mero adorno de olhos caprichosos precisando recordar como se chorava com o corpo.

Continue remando, não está longe. Você vai conseguir. Vai, pode ir. Vê alguma coisa, consegue ver algo? Seu silêncio parecia um tipo respeitoso de adeus. Não sonhava fazia dias. Não acordava completamente tampouco. Limbo do ser. Delirava em lembranças. Vagava nos detalhes de outrora. Ao longe uma calma balada tocava a incredulidade dos fatos. E eis, então, que mirando o quadro de Van Gogh no vazio mergulhou...

imenso dentro do vaso que agora me serve de esconderijo cercado de girassóis um para cada mês do ano na aridez disforme enxuta pela luz em gotas era a noite onde gostaria de permanecer sem hora marcada pra voltar nas mesinhas dos bares da boemia livre em um local qualquer do tempo solto e solitário caminho pelo centro da cidade num domingo a tarde os carros voam rapidamente por entre o mar das gentes que não costumava ali passar pois já passaram flâneur de mim mesmo enfim onde vou onde quiser tudo tão cheio de melancolia que dá uma saudosa vontade de rir ou de correr sem pudor sem rimar de cuspir na terra todos os vermes e de novo a última pitada na bagana que segue por rabo de foguete até quicar cintilante no meio fio da rua movimentada por carros antigos passando como pode um desfile pra mim de onde vem este cheiro de ambrosia procura procuro mas não encontrei ainda ah lá está não lá está aqui descobri meio decepcionado o saboroso manjar já não parece doce o bastante de fato o cheiro era melhor que o gosto o arreto melhor que o gozo cada detalhe deste derradeiro retrospecto onde vou até o fim que tá ficando quente cheiro de alfazema perfume envelhecido cansado não cansado te digo que não cheiro de meus livros da cama quente com brancos lençóis bordados em púrpura e violeta bonitos mesmo e a água morna mentolada na bacia e a lâmina afiada camisa engomada e o talco fino que tô pronto vamos lá já tô pronto sim os suspensórios alinhados ao jogo de dama na praça e a pinga no boteco tudo está ali no jornal aberto as velhas novas de sempre gente que eu não via há tempos parece sonho não importa se me vêem ou não apenas firme não afoito mas audaz decidido em minha peregrinação onírica olha se não é o compadre Marico não pode ser como tu tá conservado rapaz que anda tomando cachaça com mel que te ensinei tu tava tão acabado olha a madrinha não me conheceu sempre gostei da suavidade da água em ondas depois de tocar a pedra meus lábios em solilóquios inquestionáveis e certos sempre certos até de canto de boca rindo agora pro espelho bigode bem feito pretinho mas desde as entranhas rir é o remédio é o remédio porque pra que este atraso estou de malas prontas e tenho saudades de meu pai o cheiro de remédio nas ventas impregnando os velhos ares de antigamente que quarto encerrado abram as janelas os passarinhos estão lá fora e vieram me ver ou despedir-se claro vieram me encantar com seu canto de vida que lindo fui bom sim meus amiguinhos não fui santo mas fui reto pena que não poderei fazer mais agora que sei tanto não nem tanto ao céu nem tanto ao inferno um filho da puta fui ruim sim quem não erra que atire o cacete naquele tempo era difícil a vida com a firmeza da rosa me corre um fio de sangue pelo braço mas indiferente é o ferrão na murcha palma da mão doce e suave como vinho gaúcho é o meu sangue com o dedo tremendo ainda acaricio o caule desafiando os espinhos que cravam nas unhas não existe espinho Manuela pensamento no tempo de uma vida tempo que veio buscar o que deixou em mórbida mordomia período que se foi e não pode jamais ser igual vento de fim de tarde cheiro da grama folhas secas terra e madeira podre não poderei ficar aqui ah mas essa dor tu não conheces pois quem parte também sofre também levo uma mancha de saudade no peito levo lágrimas e lamentos que à terra hei de lançar lá do alto esfumaçada estão minhas vistas que sono etéreo torpor onde estás tô te ouvindo que apertado não entendo não tô nada que é silêncio faz em prol do esquecimento quero recompensa chuva pra baixo e pra cima com choro parti em pranto volto chegar também pode ser doloroso última palavra não lembro o nome dela grito primal ela ficarás bem som luz forte não esquecerei não esquecerei não minha mão dói adeus meu amor falta-me o ar ajude-me a respirar





sábado, 7 de julho de 2007

Prêmio

Poemas no Ônibus e Histórias de Trabalho homenageiam selecionados
Os autores premiados, inclusive o Pirotécnico aqui, subirão ao palco do Teatro Renascença nesta quarta-feira, 11 de julho, para receber os certificados dos concursos promovidos pela Secretaria Municipal da Cultura. A recepção começará às 20h e contará com a participação do Sarau Elétrico, de Katia Suman e dos professores Fischer e Cláudio Moreno. Eles lerão alguns
trabalhos contemplados. Logo após haverá uma canja musical surpresa. É surpresa mesmo, nem eu sei quem é. Aguardo todos!
Ah, no evento estarão disponíveis os livros ao preço de R$ 5 e R$ 7.